
O impressionante de fato, a meu ver, é a quase total falta de esforço retórico dos líderes do complô para conquistar conspiradores.
Os candidatos a assassinos de Hitler gastam muito pouca saliva para engrossar suas fileiras. A não ser que a resistência interna fosse um desejo escancarado e tratado com permissividade, coisa que o próprio filme descarta. Há um pisar de ovos no filme, um dito que não pode ser dito e tudo é editado de forma a que se economizem palavras de convencimento. É sua maior qualidade técnica de roteiro, aliás. Por isso, a facilidade por vezes instantânea de conquistar seguidores parece um calo ósseo no filme. É de deixar muita gente saudosa de outro tipo de registro, em que a força da retórica, mesmo manipulativa, faz toda a diferença. Até para os ouvidos do nazista caricato de plantão.
Lembro de Oskar Schindler (Liam Neeson) ao lado do SS Amon Goeth (Ralph Fiennes), sádico comandante do campo de concentração de A Lista de Schindler (1993), de Steven Spielberg. O filme tem aqueles excessos spielberguianos, que não é o caso retomar, mas uma cena antológica para os estudos retóricos, que comentei ontem.
Salve, Luiz!
ResponderExcluirParabéns pelo texto, sempre em nome da língua!
Gabriel Perissé
Belos textos, Luiz. O contraponto entre o dito e o não dito " enquadrou " perfeitamente o poder da retórica.
ResponderExcluir"Não se apanham moscas com vinagre, apanham-se com mel" , em ambos os textos você apresentou amargo mel retórico do regime nazista.
Abraços,
João Jonas